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sábado, 22 de setembro de 2012

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Para refletir e comentar...

Vê-se na atualidade que atitudes de solidariedade humana e o respeito aos bens naturais precisam ser práticas diárias, freqüentes, realizadas com habilidade, desenvoltura e compreensão do outro, com sentimento de empatia, de forma a ver/ler o sujeito e o funcionamento do universo global.

A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.
(Paulo Freire)


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Páginas relacionadas:

http://primeiraturmaposcienciatec-ufabc.blogspot.com.br/

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um projeto empreendedor
Por Joana Montes
 
O projeto empreendedor da Sala de Recursos, em 2010, possuia como objetivo produzir quadros com pedaços de madeira. Após estudos sobre o artista Cândido Portinari e Tarsila do Amaral os alunos produziram varias obras de arte. O objetivo era realizar o sonho coletivo da sala: passear no shopping, tomar lanche, ir ao cinema, ou seja, um passeio diferente para muitos. Para desenvolver o projeto houve um processo de aprendizagem sequenciado. Primeiro conheceram as técnicas de pinturas, depois fizeram estudos sobre os artistas. Concomitantemente estudaram sobre reciclagem e a importância para o meio ambiente. Os pedaços de madeira eram sobras de marcenarias que, gentilmente, ofertaram para o projeto. O resultado surgiu com releituras das obras e criações próprias. No sábado Letivo, dia da família, a professora do Laboratório de aprendizagem, Célia Coelho, e as estagiárias auxiliaram na venda dos quadros. O resultado foi a união do grupo.

 


OFICINAS DE ARTESANATO EM TECIDO E MODELAGEM  

Durante o ano foram feitas duas oficinas com a colaboração da Professora Eliana Turquetto, uma das integrantes da Equipe de Educação Especial, em apoio à Sala de Recursos e ao Laboratório de Aprendizagem. A professora fez, na primeira oficina, um histórico de como surgiram os tecidos e, depois, com os alunos produziu flores e quadros. Em outro momento, trabalhou com massa de modelar. A massa foi feita com farinha de trigo e água que após modelada, deu origem a enfeites de Natal.

sábado, 14 de julho de 2012

Educação para a cidadania!

O lançamento do livro Fragmentos foi no dia 14 de abril de 2011, na Bienal do Livro de São José dos Campos. Promove um campo reflexivo de redes discursivas geradas pelas comunicações efetuadas no audiovisual e no espectador. Este, mesmo que fora da ação, participa do movimento e interfere ao posicionar-se. As imagens do videoclipe A minha alma, do grupo O Rappa, liberam uma estratégia de comoção do espectador, o qual absorve um sentimento de empatia com os participantes do espetáculo. A tela televisiva torna-se enigmática ao liberar a representação do conteúdo. Uma janela está aberta, instaurada no espaço manifesto e oculto comum aos coadjuvantes, aos atores, aos espectadores e ao olhar solitário que se esconde atrás das imagens, invisível.
R$ 59,00

Introdução à leitura de Lacan - FICHAMENTO

Momentos de estudo coletivo...

Joel Dor é Doutor em psicanálise, sua formação é transdisciplinar, lógica e filosófica é autor de vários livros entre eles:

Introdução à leitura de Lacan – O inconsciente estruturado como linguagem. 

Abaixo, há um fichamento do primeiro capítulo, com o propósito de se levantar algumas questões sobre o assunto, ocasionando reflexões e consenso sobre o mesmo. Deixo expresso que a leitura é complexa e, por vezes, de difícil assimilação, o que ocasionou em escrita na integra, ou seja, como no livro. Daí surgiu à proposta de discussão sobre o texto. Em alguns momentos, busquei respostas em outros textos, os quais serão referenciados no final.
Os contatos podem ser enviados pelo e-mail
joanabsmontes@gmail.com 
ou deixados postados no site.

               
  1. RETORNO A FREUD

A teoria de Jacques Lacan encontra-se estruturada no campo freudiano. A referência freudiana nada mais é do que uma referência a um certo modo de apreensão e de intelecção do inconsciente e concomitantemente a um certo tipo de prática codificada em relação a um tipo de investigação. Portanto, situa o que é de ordem prática altamente psicanalítica em relação a outros procedimentos de investigação do inconsciente. Tal investigação do inconsciente está marcada por uma “inscrição psíquica”, não se tratando de uma entidade abstrata ou metafísica.
Para Freud, os processos psíquicos encontram-se submetidos à dimensão psíquica da linguagem e os pontos de apoio sustentados através da transferência. O estudo da linguagem e da transferência, praticamente, foi iniciado por Freud. Se uma prática analítica é uma prática de linguagem, nem toda prática de linguagem é necessariamente psicanalítica. Sempre que um sujeito dirige-se a outro, haverá transferência. Para tanto, é necessário que o ambiente ofereça condições para efetuar-se. O que irá distinguir radicalmente a prática analítica de outras práticas é o destino que será reservado à dimensão da transferência. 

É no registro da análise da transferência que se desdobrará a prática analítica, no sentido de que ali reside o espaço operatório onde o paciente pode ser convocado à investigação de seu próprio inconsciente e, por conseguinte pode ver-se o mais seguramente confrontado com a questão de seu desejo.” (DOR, P.12, 2003).

Lacan teve como principal preocupação trabalhar na reestruturação da originalidade freudiana da experiência do inconsciente. Tal hipótese audaciosa, “O inconsciente é estruturado como uma linguagem”, torna-se fundamental para toda elaboração teórica lacaniana.
Para Freud, o sonho é uma charada, bem definido em suas investigações (métodos de associações livres) como manifestações psicológicas como a obsessão e a angustia. O método de associações livres permite identificar a significação de manifestações psíquicas de origem inconscientes o que, nos métodos hipnóticos e catárticos, encontram algumas insuficiências e impasses.
O sonho é um discurso dissimulado e disfarçado, no qual o sujeito perdeu o código, mas cujo caráter de estranheza termina por livrar seu segredo num discurso claro e significante (trabalho associativo). O sonho pode significar algo totalmente diferente do que se é enunciado. Para Lacan, aparece como uma propriedade induzida pela estrutura do sujeito falante. Para Freud, é um sistema de elementos significantes análogos aos elementos significantes.
Lacan, em seus primeiros conceitos, sustenta a hipótese do inconsciente estruturado como linguagem. Utiliza elementos da teoria freudiana do sonho para fundar e apoiar a analogia estabelecida entre o funcionamento dos processos inconscientes e o funcionamento de certos aspectos da linguagem, sustentada numa perspectiva de concepção estrutural da linguagem, a qual teve início na obra de Ferdinand de Saussure, a qual indica aos analistas em formação a aprendizagem da lingüística (significante e significado).
O trabalho do sonho recorre a dois tipos de mecanismos fundamentais: a condensação e o deslocamento. Freud observou a presença desses dois mecanismos em suas observações empíricas. Constatou a diferença de “volume” entre o material manifesto e os pensamentos latentes e a exigência de disfarce do sentido intervindo ao nível dos pensamentos latentes do sonho. Distinguiu vários tipos de condensação: a condensação por omissão, na qual a restituição dos pensamentos latentes é muito lacunar ao conteúdo manifesto; a condensação por meio de fusão, superposição do material latente cuja ilustração pode ser apresentada pela elaboração das pessoas coletivas ou pela criação de neologismos obtidos por combinações e fusões sucessivas.
As modificações introduzidas ao longo do sonho entre o conteúdo dos pensamentos latentes e o material do conteúdo manifesto não se devem apenas aos diversos processos de condensação. As ideias latentes encontram-se representadas em relação ao conteúdo manifesto após sofrerem uma modificação importante (inversão de valores ou inversão de sentido segundo Freud).
O trabalho do sonho dá origem a um deslocamento que torna obscuro ao conteúdo manifesto o que era fundamentalmente significante nos pensamentos latentes. Manifesta-se um poder psíquico que despoja elementos de alto valor psíquico de sua identidade graças à sobredeterminação, dá valor maior a elementos de menor importância, os quais podem penetrar no sonho, havendo transferência e deslocamento das intensidades psíquicas dos diferentes elementos.
A atitude estruturalista constitui uma reunião de elementos que compõe um todo e a sua inter-relação com este todo. Esse sistema de relações não aparece imediatamente. Esse procedimento impõe que nos desviemos provisoriamente de um certo modo em relação ao objeto. Trata-se de renunciar um tipo de descrição da natureza dos objetos, de suas qualidades, de suas propriedades específicas. Consiste em dar a possibilidade de advir relações, aparentemente dissimuladas,  existentes entre  eles ou entre seus elementos.
Existe uma hierarquia das estruturas, no sentido de que certas estruturas mais fortes estão em condições de extinguir as estruturas mais fracas. A definição de estrutura é também adequada ao estudo da linguagem.
Segundo Piaget, uma estrutura é um sistema de transformação que comporta leis enquanto sistema (por oposição às propriedades dos elementos) e que se conserva e se enriquece pelo próprio jogo de suas transformações sem que elas ultrapassem suas fronteiras ou recorram a elementos exteriores.
Para ele, uma estrutura comporta três características: a totalidade, que resultaria ao mesmo tempo da independência, dos elementos componentes, da estrutura e do fato de que a reunião de todos os elementos é necessariamente diferente da sua soma; a transformação que necessitaria de leis de composição que definissem operações no interior de uma dada estrutura (estruturantes de uma realidade já estruturada) e a auto-regulação que é a característica essencial da estrutura, significando que esta é suscetível de autoconservar-se (estabilidade do sistema).
Em lingüística, a idéia estruturalista surgiu com a introdução da dimensão sincrônica no estudo da língua, não podendo ser reduzido a uma perspectiva de descrição de uma língua ao longo de sua história, pois a história de uma palavra não permite dar conta de uma significação presente. A significação depende do sistema da língua, cujas leis de equilíbrio estão na dependência direta da sincronia. Há uma relação fundamental entre o sentido e o signo, que podemos observar somente do ponto de vista sincrônico. À medida que a idéia estrutural revela propriedades radicalmente novas, passa a constituir a base de uma abordagem especificamente operatória no campo lingüístico, propagando-se a outros setores das ciências humanas. Lacan irá aplicar esta estratégia estruturalista no terreno da psicanálise.
O sonho, para Lacan, tem a estrutura de uma frase, ou seja, uma charada, que, na criança, é uma representação direta do sentido das palavras através de sinais gráficos e, no adulto, reproduz o emprego fonético dos elementos significantes. Freud ensina-nos a ler as intenções reveladas exteriormente onde o sujeito modula o seu discurso onírico (relativo à natureza de sonho).  
Lacan torna claro que a obra de Freud convoca a introdução de certos conceitos da lingüística no campo teórico da psicanálise. A noção de estrutura só é central na obra de Lacan à medida que ela é constantemente referenciada à estrutura da linguagem, à qual o inconsciente deve ser relacionado, porque é do próprio ato da linguagem que faz advir o inconsciente e o lugar onde ele se exprime.
Saussure rompe com a concepção que faz pensar na unidade lingüística como a associação de um termo a uma coisa. O signo lingüístico não une uma coisa a um nome, mas um conceito a uma imagem acústica. Esta não se trata de um som material, ou seja, físico, mas a marca física deste som. A representação é dada por nossos sentidos. Ela é sensorial, sendo chamada de “material” apenas neste sentido.
O signo lingüístico é a relação aparentemente fixa no sistema da língua, é suscetível de modificações na dimensão da linguagem. As unidades lingüísticas, enquanto entidades psíquicas, não procedem da fala; participam do registro da língua., sendo a língua linguagem menos a fala. A linguagem é a articulação de uma língua falada por um sujeito e por sua vez a fala parte da linguagem que se manifesta como ato individual, por oposição à língua que é social. Portanto, não podemos deixar de citar as expressões  “marca psíquica” e  “representação”.
Podemos dizer que signo lingüístico é uma entidade psíquica de duas faces, cujos elementos são instituídos numa relação de associação. É “relação” e esta é aparentemente fixa no sistema da língua, sendo suscetível de modificações na dimensão da linguagem.
O signo para Saussure exprime a unidade lingüística, preferindo substituir significado por conceito e significante por imagem acústica, tornando o signo a relação de um significado a um significante. Lacan explora esta relação no sentido da autonomia do significante em relação ao significado, a qual só é concebida na medida em que o significante e significado não estão numa relação fixa.
O arbitrário do signo manifesta-se da própria associação do significante do significado. Não parece existir elo necessário entre conceitos e a montagem acústica que serve para representá-lo. Não significa que o signo tenha um caráter aleatório, pois o arbitrário só vale para o conjunto de uma determinada comunidade lingüística. É arbitrário em relação ao significado, o qual não tem nenhuma relação natural com a realidade.
Nos esquizofrênicos encontramos distúrbios bastante profundos da linguagem, parece que a estruturação delirante interpela a diferença que existe entre caráter arbitrário do signo e caráter aleatório do signo. Para Freud, na esquizofrenia as representações de palavras põem-se a funcionar como representações de coisas.
Saussure esclarece, a partir da noção do signo lingüístico, a possibilidade de associação do mecanismo de desconexão do significante e do significado. Tal mecanismo levará Lacan a falar do “desenfreamento do significante”, isto é, o efeito de uma alteração específica da utilização do signo lingüístico. Para Saussure, seria o momento em que o significante depende da livre escolha do sujeito falante. S. Leclaire diz que dois processos podem intervir nesta alteração do signo, seja o significado encontrar-se associado a qualquer significante, ou inversamente. Chegando a conclusão de que a associação significado significante pode ser submetida às possibilidades de combinações aleatórias.
Nos distúrbios psicopatológicos da linguagem como glossolalias, a incidência do processo inconsciente na alteração do signo lingüístico é manifesta além do caráter aleatório das associações significantes e significados. Definimos glossolalias como a aptidão para inventar e falar línguas novas, incompreensíveis para todos com exceção para aquele que fala. Num certo número de casos estas linguagens se fixam e se enriquecem pouco a pouco. O processo de associação é aleatório, porém extemporâneo. O sujeito está alucinado pelo produto de suas próprias invenções lingüísticas, embora freqüentemente fique espantado com tal construção. Trata-se do resultado de um efeito de captura significante, na medida em que a estruturação do signo parece estar completamente submetida ao processo primário do inconsciente.
O significante é livremente escolhido com relação à idéia que representa. Depois de escolhido, passa a impor-se à comunidade lingüística, ou seja, a massa falante, tornando-se imutável. O indivíduo é incapaz de  modificá-lo, assim como a massa não pode exercer soberania sobre uma única palavra, pois está ligada a língua tal como ela é.
O arbitrário do signo é o que dá origem à submissão de uma comunidade lingüística a língua. A palavra está ligada à língua tal como ela é, sujeitando-se o indivíduo à língua. Sendo a alteração do signo resultado da prática social da língua ao longo do tempo e a convenção arbitrária do signo, ou seja, a livre escolha. A alteração do signo dá-se através de um deslocamento da relação significado e significante. Significante, pois há  uma alteração fonética, e significado por haver uma modificação no conceito. Tais alterações estão ligadas à prática da língua no tempo.
“A língua é comparável a uma folha de papel. O pensamento é a face, e o som o verso; não se pode cortar a face sem cortar ao mesmo tempo o verso; assim, também, na língua, não poderíamos isolar o som do pensamento, nem o pensamento do som” (SAUSSURE).
Portanto, a alteração do signo está diretamente ligada à prática da língua no tempo, e o fator tempo é dependente da natureza do significante. O significante é uma seqüência fonética que se desloca no tempo. A fala, a articulação torna presente o desenrolar temporal do significante dando origem à propriedade fundamental da língua, ao qual chamamos de o eixo das oposições ou eixo sistemático, o que Lacan designa como cadeia significante. A língua é estruturada por estar fundada em um conjunto de elementos dados que são os signos. É uma estrutura, pois além dos elementos, supõe leis que governam estes elementos. Com a cadeia significante podemos observar dois problemas específicos:
·         O problema das concatenações significativas;
·         A questão das substituições suscetíveis de intervir nos elementos significativos.
Tais problemas são sancionados em toda língua pela existência de leis internas de natureza diferente, podendo a língua ser analisada segundo duas dimensões ligadas às propriedades específicas: A dimensão sintagmática e a dimensão paradigmática. 
Falar implica efetuar duas séries de operações simultâneas: Selecionar um certo número de unidades lingüísticas no léxico e combinar as unidades lingüísticas escolhidas. Definindo, assim, um corte da linguagem em duas direções: A seleção (eixo paradigmático) que supõe a escolha de um termo entre outros, implicando numa possibilidade de substituição dos termos entre si e a combinação (eixo sintagmático), que requer um certo tipo de articulação das unidades lingüísticas, começando pela configuração de uma certa ordem nas unidades de significação.
JAKOBSON considera o sistema da linguagem em função onde os termos se encontram associados por similitude ou por contigüidade. Os seus estudos sobre afazia o conduzem a esta conclusão. Ele isola dois grandes tipos de afazia que podem ser distinguidos de acordo com o tipo de processo que esteja deteriorado: “de seleção” ou “processo de combinação”. Quando a deterioração recai sobre a escolha lexical (seleção), o afázico dificilmente encontra as palavras. Utiliza no lugar da palavra procurada uma palavra que se encontra numa relação de contigüidade com essa. Quando inversamente a deterioração recai sobre a articulação dos termos lexicais (combinação), o afázico procede por similitude. Estas duas síndromes evidenciam uma propriedade específica do discurso que se desdobra segundo dois tipos de operações: as operações metafóricas (eixo das seleções) e as operações metonímicas (eixo das combinações).
A metáfora e a metonímia nos conduzem igualmente a idéia fundamental de Lacan da supremacia do significante e as suas conseqüências com relação às formações do inconsciente.
Segundo Saussure, a cadeia falada é uma dupla cadeia: cadeia dos conceitos e cadeia das imagens acústicas, de tal forma que toda delimitação introduzida na cadeia das imagens acústicas corresponde uma delimitação subseqüente na cadeia dos conceitos. Uma vez que se sabe existir uma certa firmeza entre significante e significado, podemos imaginar que numa cadeia falada, toda vez que se encontra um significante, este estará necessariamente ligado a um significado. A imagem acústica pode estar ligada a dois signos lingüísticos distintos, sendo que apenas o contexto da cadeia falada permite circunscrever a significação. Ao dizer que o contexto delimita o signo, é afirmar que o signo só é signo em função do contexto. O “valor do signo” é o que faz com que o fragmento acústico torne-se real e concreto, que seja delimitado, fazendo sentido, tornando-se signo lingüístico. Numa língua cada termo tem seu valor por oposição a todos os outros termos. O valor receptivo das peças depende de sua posição e o valor dos termos depende das regras.
Os signos lingüísticos não são somente significativos por seu conteúdo, mas pelas relações de oposição que mantêm entre si na cadeia falada. É o sistema que lhe dá uma identidade significativa.
A linguagem aparece como uma série de divisões simultaneamente introduzidas num fluxo de pensamentos e num fluxo fônico. A língua elabora as suas unidades ao constituir-se entre duas massas amorfas (não tem forma definida), o signo lingüístico corresponde a uma articulação dessas massas entre si. Uma idéia não se fixa apenas num som, mas em uma seqüência fônica que se constitui como significante de uma idéia. Assim também na língua não podemos isolar o som do pensamento, nem o pensamento do som. A língua não comporta nem idéias, nem sons que preexistiriam ao sistema lingüístico, mas unicamente diferenças fônicas e diferenças conceituais.
O significante provém de intervenções, que associamos a um conceito. O surgimento do significante é indissociável do engendramento  do signo lingüístico em sua totalidade.
Para Lacan, o ponto-de-estofo é, antes de mais nada, a operação pela qual “o significante detém, de forma indeterminada, o infinito da significação”. Em outras palavras, é aquilo por meio do qual o significante se associa ao significado na cadeia discursiva.
Cada signo só é significativo na relação de oposição que mantém com todos os outros signos na seqüência falada. Podemos dizer que é sempre retroativamente que um signo faz sentido na medida em que a significação de uma mensagem só advém ao final de sua própria articulação significante.
No delírio tudo se passa como se houvesse uma invasão progressiva do significante, no sentido de que o significante se libertaria pouco a pouco de seu significado. Em geral, é sempre o significado que colocamos em primeiro plano porque seguramente é o que há de mais sedutor na investigação simbólica da psicanálise. Mas, ao desconhecer o papel mediador primordial do significante, que é na realidade elemento guia, não somente desequilibramos a compreensão original dos fenômenos neuróticos, mas tornamo-nos absolutamente incapazes de compreender o que se passa nas psicoses.
A estruturação e a existência do conjunto do aparelho significante são determinantes para os fenômenos presentes nas neuroses, pois o significante é o instrumento pelo qual se exprime o significado. A oposição da metáfora e da metonímia é fundamental. O que Freud chama de condensação é o que se chama, em retórica, metáfora e o que chama de deslocamento, metonímia.
A metáfora (transposição do sentido próprio ao figurado) consiste em designar alguma coisa por meio do nome de uma outra coisa. É, portanto, substituição significante. A medida em que a metáfora mostra que os significados extraem sua coerência unicamente da rede dos significantes, o caráter desta substituição demonstra a autonomia do significante em relação ao significado e, por sua vez, a supremacia do significante.
O processo metonímico (emprego de um nome por outro) impõe um novo significante em relação a um significante anterior. A metonímia testemunha em favor da autonomia dos significantes em relação à rede dos significados e, conseqüentemente, em favor da supremacia do significante. 
As noções de metáfora e metonímia constituem, na perspectiva Lacaniana, duas das pedras fundamentais da concepção estrutural do processo inconsciente.  Estando na origem dos mecanismos que regulam geralmente o princípio do funcionamento inconsciente, evidenciamos a aplicação desses dois paradigmas tanto ao nível do processo primário, como ao nível das formações do inconsciente.
A condensação é o modo de funcionamento dos processos inconscientes, através do qual várias cadeias associativas concentram-se numa única representação (sonho). Pode ser considerada como semelhante a uma substituição significante. A condensação que Freud designa por formação compósita é, na mesma medida, representativa da intervenção de um mecanismo metafórico, cujos elementos latentes, que apresentam características em comum, irão fundir-se entre si e estarão representados ao nível manifesto por um único elemento. Exemplo; “pessoas compostas”, “figuras coletivas”, “composições neológicas” que povoam os sonhos.  
No decorrer do trabalho do sonho, os materiais nem sempre são condensados. A maior parte do material latente pode estar representado ao nível manifesto. Esses materiais latentes  não se encontram representados como tais, com exceção dos sonhos de crianças. A representação manifesta induzirá uma inversão de valores, tal deslocamento de valores induzirá  um deslocamento do sentido.
Nos sonhos irracionais, o deslocamento do valor é, na maioria das vezes, total e o essencial do material latente torna-se perfeitamente acessório no nível manifesto. Nestas condições identifica-se neste mecanismo a própria configuração do processo metonímico. Por conseguinte, representar o essencial pelo acessório é, de certa maneira, representar o todo pela parte.
Se no sonho o acessório manifesto exprime o primordial latente com a ajuda de uma construção metonímica, ainda assim a relação de contigüidade entre os significantes nunca aparece de forma tão evidente quanto nas elaborações metonímicas da linguagem. Esta relação de contigüidade só pode ser evidenciada por associações. Todo trabalho associativo permitirá decodificar a significação latente, metonimicamente disfarçada a nível do conteúdo manifesto do sonho.
Em geral, o processo global do trabalho do sonho é um grande empreendimento metonímico. É sustentado por um mecanismo geral de transferência de denominação, ao que Freud chama de disfarce ou dissimulação do sentido. O sonho só resiste à significação na medida em que esta resistência é, justamente, o produto do trabalho do sonho. Lacan coloca que a resistência à significação da metonímia deve-se ao fato de que a metonímia é sempre o não sentido aparente.
A  resistência à significação depende da cadeia dos diversos materiais intermediários postos em conexão pelo próprio trabalho do sonho, percorrendo a cadeia destes materiais em contigüidade, tratando-se de percorrer o caminho trilhado pelo processo metonímico.
A análise estrutural entre certos processos de linguagem e certos processos inconscientes identifica-se, além do sonho, em outras formações do inconsciente para não dizer em todas. O dito espirituoso é uma delas e apresenta a vantagem de conjugar simultaneamente a condensação metafórica e o deslocamento metonímico. Freud percebeu a identidade de estrutura que podia existir entre o mecanismo da condensação e a construção de certos ditos espirituosos. O dito espirituoso procede igualmente por substituições, logo, por metáforas. A elaboração pode utilizar uma outra técnica explorando o registro inconsciente do deslocamento que, segundo Freud, reside no desvio do curso do pensamento, no deslocamento da importância psíquica de um tema primitivo para um tema diferente. O dito espirituoso estruturado de modo metonímico advém no lugar de uma outra formação do inconsciente: o lapso. A formação do inconsciente “mista” revelará sua solução explicativa numa série de associações que trarão à luz a construção metonímica subjacente.
Lacan observa que o sintoma resolve inteiramente uma análise de linguagem, porque ele próprio está estruturado como uma linguagem, porque é linguagem cuja palavra deve ser liberada. O sintoma é um retorno da verdade. Ele não interpreta a não ser na ordem do significante, que só tem sentido em sua relação com outro significante. Da mesma forma, se o sintoma é uma metáfora não é metáfora dizê-lo, pois o sintoma é uma metáfora quer queira ou não dizê-lo. O sintoma constitui uma justificativa suplementar à tese do inconsciente estruturado como uma linguagem.

Depois de alguns dias postarei o 2º e 3º capítulos...
 .

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PROJETO - DESCRIÇÃO POÉTICA


Tema – “Ambiente Marinho e suas riquezas naturais - Sustentabilidade”
INTRODUÇÃO
O descrever neste projeto tem por objetivo detalhar a sequência do discurso, ou seja, das imagens marítimas tiradas da internet.
O percurso metodológico, do descrever, demonstra diferentes possibilidades de observar, refletir e (re)considerar o objeto em questão. Descrever, aqui, implica potencializar a mensagem estratificada entre o verbal e o não verbal. Mais que isso, descrever requer, estrategicamente, propor a flexibilidade de olhares (instância-intelectual de percepção / cognitivo), em que é possível ponderar uma leitura crítica conceitual acerca do que se vê.
Descrever é anterior a interpretar, portanto não interessa ficar atento ao sentido do objeto. Pelo contrário, interessa destacar os efeitos expostos pela descrição. Segundo Humberto Maturana (1997, p. 157), “[...] a descrição sempre implica uma interação do sistema que ela descreve”. Assim, descrever é um modo de leitura para pensar a representação, ou seja, fazer um relato circunstanciado de algo ou alguém, por escrito ou oralmente, com detalhes.
Em outra perspectiva, os sentidos são representados através da arte que expressa, comunica e atribui sentido às sensações, aos sentimentos e à realidade por meio da organização de linhas, formas, pontos, volume, espaço, cor e luz na pintura e no desenho. A arte está presente no cotidiano das pessoas. Vemos arte no por do sol, na areia da praia, na natureza, no mar, no mundo. A arte é uma forma de expressão e comunicação humana. Sendo uma forma de linguagem, possui estruturas e características próprias no âmbito prático e reflexivo, no que diz respeito ao fazer artístico, à apreciação e à reflexão.
Portanto, a idéia principal deste projeto é despertar no aluno da Sala de Recursos (Multifuncional) o interesse por diversos tipos de leituras, verbal e não verbal, ampliando seu conhecimento e a partir daí criar seu repertório, com a utilização dos elementos da linguagem das artes visuais e escrita.
No primeiro momento, procurou-se na internet uma imagem marítima, depois foi feita a descrição desta imagem e por fim, em outro momento, fez-se uma releitura utilizando técnicas diferenciadas de textura e pintura com tinta guache. As imagens foram digitalizadas e colocadas como pano de fundo dos textos descritos. Foram atividades prazerosas e significantes. Os alunos participaram com entusiasmo, o que contribuiu para elevar a auto-estima e ampliar seus conhecimentos.
Joana Montes


Escola municipal desenvolve o empreendedorismo de inclusão

"Uma dose de tecnologia, misturada a dois tipos de leitura: a verbal e a não verbal. Por meio da arte, adiciona-se conteúdo de sustentabilidade e para finalizar, um toque de empreendedorismo. Esta foi a receita usada pela professora da Sala de Recursos da escola municipal Professora Ildete Mendonça Barbosa, Joana Montes, para estimular o respeito ao meio ambiente, fortalecer laços de amizade e desenvolver habilidades e criatividade entre os alunos.
As Salas de Recursos são espaços criados dentro das escolas, destinados ao atendimento educacional especializado dos alunos com deficiência, e que têm como objetivo complementar o ensino regular. Estes ambientes contam com recursos pedagógicos adequados às necessidades educacionais decorrentes de deficiência mental, física, auditiva, visual ou transtorno global de desenvolvimento.
A experiência da turminha da escola Professora Ildete começou com o auxílio da Internet. Os alunos selecionaram uma imagem relacionada ao ambiente marinho e suas riquezas naturais fizeram a descrição das imagens. Depois, partiram para releitura, utilizando técnicas de textura e pintura com guache. Assim nasceram as obras de arte e o livro “Descrição Poética” que ganhou uma exposição. Durante o evento, cada aluno recitou o seu poema baseado na descriçao do quadro pintado.
A renda obtida com a ação empreendedora será investida em uma viagem da turma ao aquário de Ubatuba. Lá, será possível admirar as riquezas marinhas representadas na arte desenvolvida pelos estudantes. " A intenção é ensinar por meio de uma abordagem prazerosa" explica a professora Joana, enfatizando a importância do trabalho realizado para a experiência de vida e crescimento intelectual dos alunos participantes da Sala de recursos."

OBJETIVOS DA INSTALAÇÃO PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO 
  • Estimular o envolvimento do grupo de forma individual e coletiva na conscientização e respeito pelo meio ambiente e fortalecer laços de amizade e companheirismo;
  • Desenvolver habilidades e a criatividade manual dos alunos; 
  • Contribuir para a elevação da auto-estima dos alunos ao vivenciar a experiência de ver sua produção sendo vista e admirada por seus pares; 
  • Fornecer aos alunos da Sala de Recursos Multifuncionais uma abordagem prazerosa do tema “Ambiente Marinho e suas riquezas naturais - Sustentabilidade” no eixo ecologia e meio ambiente, através da Arte;
  • Expor os trabalhos de pintura em telas produzidos na Sala de Recursos;
  • Lançar o livro “Descrição Poética” dos alunos de sala de recursos. Observa-se, neste pressuposto, que as descrições foram elaboradas pelos mesmos, utilizando-se de imagens marítimas.

A Sala de Recursos (Multifuncional) atende alunos com Necessidades Educacionais Especiais. E numa roda de conversa para proposta de um novo projeto, os alunos evidenciaram que possuíam um sonho em comum. O grupo quer ser valorizado por seus feitos, mostrar ao mundo o que fazem e que podem atingir o sucesso com o que estão vivenciando.
Nesta busca coletiva de reconhecimento e inclusão no âmbito social pensou-se no projeto empreendedor da sala.  Para desenvolver o projeto houve um processo, uma sequência de atividades que envolvem a leitura/escrita e conhecimentos de artes/pintura. Para tanto, utilizou-se o tema “O mar e a sustentabilidade” numa proposta interdisciplinar, iniciando pela descrição de imagens, estudo de textos informativos entre outras atividades. O foco inicial foi a descrição e a releitura das imagens em forma de pintura em tela e como consequência, resultou no livro impresso e digital.


Depois fomos ao Aquário de Ubatuba, ao Projeto Tamar e almoçamos na casa de Professora Eliana que nos recebeu com muito carinho e ganhou de nossos alunos duas telas pintadas por eles.
 Joana Montes

domingo, 15 de maio de 2011

UM OLHAR, UMA JANELA PARA O MUNDO - CIBERCULTURA

Por Joana Montes


Como no espelho, aquele que assiste ao “espetáculo” lê o reverso a que se destinava a comunicação. Neste momento, o espectador pode perceber os movimentos em um invólucro imagético projetado no espelho. Ao vê-lo, tem-se a neutralidade da oscilação. O meio termo, o certo e o errado, a paz e a guerra, o desespero e o equilíbrio, entre o que se vê e o que se esconde no entrecruzar das imagens. As cenas do mundo submergem em suas mentes e, em um momento oportuno, emergem nos olhares. As marcas acham-se no imaginário e se tornarão visíveis, sem sombras e sem resistências.
Na era da cibercultura as representações invisíveis precisam ser representadas no mundo, ao dar nome, enfim, a suas identidades. Pressupõe-se que o sujeito seja integrado a uma nova forma de ver as cenas contemporâneas, de maneira a organizar novas combinações de tempo e espaço.


Antevê-se a invisibilidade na configuração do real, a qual é representada, imageticamente, sobre a forma de espetáculo digital. Alcança-se, à frente das imagens, a posição ideal e, deste modo, lê-se as mentes que o observam e reflete-se nas representações neuronais, as conexões invisíveis das tecnologias de informação e comunicação. Os olhares são compostos de reciprocidade entre os que se surpreendem ao verem cruzar suas ideias em uma teia complexa de incertezas e trocas e os que vivem a ficção/realidade.
 À medida que o olhar encontra receptividade, torna-se mais acentuada sua visão por aquele público, o qual só é escolhido diante do interesse. Caso contrário, seriam substituídos por outros olhares mais atentos à sua mensagem. Nesse pressuposto, capta-se o olhar do espectador, de forma a constrangê-lo e designar-lhe um lugar privilegiado e obrigatório, apropriando-se da sua identidade refletida no espelho.
O espectador vê-se visível ao olhar do outro, que transporta para si uma imagem invisível dele próprio. No discurso do mercado, da mídia e, consequentemente, das novas tecnologias, há as promessas de realização pessoal. Homens, mulheres e crianças caminham na estrada, ao som das pulsões cardíacas, a procura de um futuro de (não)verdades, porque não se têm certeza do que os espera. São retirantes de um passado. Não conseguem perceber o incerto, o globalizado, o comercializado. São robôs futuristas? Não, são pessoas simples em seu cotidiano. 

Segundo Stuart Hall (2006), a fragmentação acelerada, o imprevisto e a progressiva desintegração social levam a uma multiplicidade de confrontos numa proliferação de campos de batalhas. Portanto, não mais se procura identificar o sentido para depois resgatá-lo. A experiência determina a condição de verdade em que ocorre o conhecimento e a troca de informação. Para experimentar o mundo, torna-se necessário vivê-lo. Pensar soluções dentre as possibilidades contribui para favorecer uma educação de qualidade, a qual possa abrir espaços para fundamentar e dialogar sobre as diversidades culturais, étnicas e sociais presentes no contemporâneo. 

http://issuu.com/caluh/docs/caderno_de_resumos?e=3474244/3000829


Observção: As imagens vistas neste texto foram retiradas do google.

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO

Inúmeros alunos frequentam o nível regular de ensino e, dentro deste universo maravilhoso do desenvolvimento humano, percebemos que alguns possuem dificuldades para se relacionar  e responder de forma adequada às exigências do contemporâneo. Dentro deste universo de diversidades humanas, sentimo-nos, por vezes, despreparados diante dos problemas que são apresentados cotidianamente no espaço educacional, cujo atendimento aos educandos requer mais atenção. Surge o questionamento de como intervir de forma adequada para que os alunos com dificuldades da aprendizagem se apropriem  do conhecimento oferecido nas escolas.  
As dificuldades de aprendizagem, no âmbito escolar, são causadas por um conjunto de fatores.  As cobranças, a linguagem e o modo de explicar o conteúdo pode ser uma das causas responsáveis pelas dificuldades. A origem pode estar na má condução do processo de ensino aprendizagem.  WEISS (2004) considera que o fracasso escolar é uma resposta insuficiente do aluno a uma exigência ou demanda da escola. Tal afirmativa pode ser analisada e estudada por diferentes perspectivas, ou seja, na visão da sociedade, da escola e do aluno.
O problema que o aluno encontra para aprender pode ter  como causas: a má condução do ensino, a dosagem da quantidade de informações transmitidas, a cobrança, por vezes, excessiva por parte dos pais e educadores, ou as avaliações da aprendizagem, que mal conduzidas são geradoras de ansiedade insuportável para o aprendiz, chegando à desorganização de sua conduta. O fator social, também, influi no desenvolvimento da aprendizagem, assim como: os aspectos culturais, econômicos, o histórico familiar e as condições internas do indivíduo que são significantes nos índices de fracasso escolar.
Quando detectado o problema, ao observar que o aluno não está respondendo de forma adequada à aprendizagem, a escola procura encaminhá-lo para uma avaliação psicopedagógica. O psicopedagogo, inicialmente, terá que entender o que o professor está ensinando para poder compreender o que está dificultando a aprendizagem. Verificar a estrutura social do indivíduo e o histórico familiar, pois,  são fatores que impedem o bom desempenho  e numa abordagem psicopedagógica os dados históricos do sujeito a ser trabalhado é de suma importância.  Interessante, abordar os aspectos orgânicos, cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos e junto com todo o material propor soluções, ou seja, diagnosticar e propor intervenções.
O psicopedagogo tem que saber ouvir, a escuta é um dos fatores mais relevantes, pois se trabalha com emoções. Ter em mente que a  função do psicopedagogo é trabalhar as dificuldades de aprendizagem. Portanto, ao diagnosticar e levantar hipóteses de todos os aspectos do sujeito, o terapeuta tem por finalidade  achar caminhos para que, o educando, tenha acesso ao conhecimento e adquira o gosto pela  aprendizagem.
Ensinar a leitura, a escrita e outros mecanismos de aprendizagem, é um complexo dinâmico de atividades integradas que exigem sistematização. Envolve uma discussão quantitativa e qualitativa de determinados desempenhos, que associados conduzem a uma conclusão. Geralmente, avalia-se o que está exteriorizado, isto é, o que se vê, porém, o terapeuta tem que olhar de forma ampla, sempre questionando os resultados das análises. Nesta perspectiva, o diagnóstico deve ser um processo aberto, disposto a mudanças. Não se pode vê-lo como um processo fechado, pois o objetivo básico é identificar os desvios e  os obstáculos no modelo de aprendizagem que impedem, o sujeito, de aprender.
O terapeuta terá que caracterizar desempenhos, centrar áreas de desenvolvimento, levantar hipóteses, observar evoluções, as áreas em que  possuem dificuldades e as áreas em que se destacam.  A avaliação psicoeducacional vê o sujeito como um todo, nas suas competências e dificuldades.
O diagnóstico psicopedagógico, dará um espelho de como o sujeito é e como aproveitar o seu potencial, indicando caminhos a seguir sempre com o objetivo de dar ao educando oportunidade de pleno desenvolvimento dentro do contexto educacional. Trata-se de um processo contínuo e sistemático que utiliza métodos e técnicas objetivando investigar, interpretar, orientar e prever situações, distúrbios e dificuldades, determinando suas causas para que possam ser devidamente corrigidas ou controladas suas dificuldades. 
A avaliação psicopedagógica, pode ser formal ou informal. A formal é quando se usa testes estandardizados, adequados a um padrão, ou seja, já produzidos. Indica-se, neste caso, que a instrumentação estandardizada (testes prontos) não tenha um caráter rígido. Deve-se, sempre, buscar um instrumental aplicável a todos, mais dinâmico e adaptável a pessoa e situações. 
Já a avaliação informal é feita através da observação com auxílio do lúdico. WEISS, no livro Psicopedagogia Clínica, coloca que no brincar a criança constrói um espaço de experimentação, de transposição entre o mundo interno e o externo. Percebe-se que o lúdico é fundamental no trabalho psicopedagógico.  
Portanto, conclui-se que o diagnóstico é um levantamento das observações que levam a uma hipótese científica. Na prática, une-se o teórico e a percepção holística, ao conhecimento técnico para saber sobre o desenvolvimento normal do sujeito. Para avaliar o terapeuta tem que ter um conhecimento teórico/científico e acima de tudo bom senso nas respostas e nas observações. 

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quinta-feira, 10 de março de 2011

O QUE É AUTISMO?


Autismo é um tema difícil de ser abordado devido à sua complexidade.  Segundo fontes da Associação de Amigos dos Autistas - AMA, as crianças com autismo possuem distúrbios de comunicação, interação social e comportamental. As causas ainda não foram detectadas. Há vários estudos a respeito, mas nenhum chegou a uma definição precisa e por este motivo o autismo é difícil de ser diagnosticado. O diagnóstico tem que ser feito por profissionais especializados que deverão acompanhar a criança durante todo o seu desenvolvimento
O autismo é uma incapacidade complexa de desenvolvimento mental que normalmente aparece durante os primeiros anos de vida. Trata-se de polarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante, ou seja, é uma deficiência nos sistemas que processam as informações sensoriais, fazendo com que o indivíduo reaja a alguns estímulos de forma agressiva. Muitas vezes, ausentam-se do ambiente que as cercam com o objetivo de bloquear os estímulos externos, isolando-se das relações interpessoais, permanecendo, assim, no seu mundo interior.
O autista não consegue interromper uma atividade depois de começá-la. Reage a mudança de rotinas, cheiros e certos sons.  Os bebês autistas não respondem a estímulos como outros bebês.
Segundo o GAUDERER (1993), autismo é uma doença, grave, crônica e incapacitante, que compromete o desenvolvimento normal de uma criança e se manifesta tipicamente antes do terceiro ano de vida. Caracteriza-se por lesar e diminuir o ritmo do desenvolvimento psiconeurológico, social e lingüístico.
As crianças autistas também apresentam reações anormais a sensações diversas como ouvir, ver, tocar, sentir, equilibrar e degustar. A linguagem é atrasada ou não se manifesta. Das onze crianças atendidas por Kanner (1938), oito adquiriram a habilidade de falar e três delas permaneceram mudas. (SCARIANO e GRANDIN, 2002, p. 191).
O autismo não é um problema atual, embora só tenha sido reconhecido recentemente.  KANNER (1943), em Baltimore, e ASPERGER (1944), em Viena, separadamente, publicaram os primeiros trabalhos sobre esse transtorno. As publicações de KANNER e de ASPERGER continham descrições detalhadas sobre o autismo. Ambos acreditavam que desde o nascimento havia um transtorno básico que originava problemas altamente característicos.  Na verdade, o primeiro a utilizar este termo foi o psiquiatra BLEULER (1911), o qual se referia a um tratamento de esquizofrenia.
O Autismo é descrito como um afastamento da estrutura da vida social para a individualidade, dificuldade para desenvolver a comunicação verbal, incapacidade de desenvolver um relacionamento afetivo normal e comportamentos ou interesses estereotipados e repetitivos.
Para GASPAR (1988), as causas podem ser múltiplas, não havendo informações conclusivas sobre o seu prognóstico ou tratamento. O autismo pode ocorrer isoladamente ou em associação com outros distúrbios que afetam o funcionamento do cérebro, tais como Síndrome de Down e epilepsia. 
Os sintomas mudam e alguns podem até desaparecer com a idade. Formas mais graves podem apresentar comportamento destrutivo, auto-agressão e podem ser muito resistentes às mudanças.
De acordo com o grau de comprometimento, o autista pode desenvolver comunicação verbal, integração social, alfabetização e outras habilidades. Poderá adquirir padrões “normais” de comportamento e condições de exercitar sua cidadania, dependendo da intensidade e da forma do tratamento. Suas características físicas não são marcantes, porém, podem ter a expressão vazia.
Uma das maiores dificuldades para a compreensão psicológica do autismo infantil é a incapacidade dos autistas narrarem ou descreverem suas experiências. Já as pessoas com síndrome de ASPERGER são altamente verbais e podem falar de seus sentimentos e estados interiores, enquanto que aquelas com Autismo Clássico (KANNER) não são capazes de verbalizar.
ASPERGER definiu o autismo de uma forma mais ampla, analisando danos orgânicos severos e aqueles que transitam para a normalidade. O termo Síndrome de ASPERGER refere-se às raras crianças autistas quase normais, inteligentes e altamente verbais. É a mais suave das síndromes de alta funcionalidade dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento.
KREVELEN (citado em WING, 1991) notou que crianças com autismo de baixa funcionalidade vivem em seu próprio mundo, enquanto que crianças com autismo de alta funcionalidade vivem em nosso mundo, mas do seu próprio jeito. Cada criança tem sua própria personalidade. Os sintomas se manifestam de formas específicas em cada pessoa, não existindo uma receita para lidar com as crianças autistas.
A Síndrome de ASPERGER apresenta desvios e anormalidades em três áreas do desenvolvimento: relacionamento social, uso da linguagem para a comunicação e certas características de comportamento.
Segundo ASPERGER, citado por BAUER: No curso do desenvolvimento, certas características predominam ou recuam, de modo que os problemas apresentados mudam consideravelmente. Todavia, os aspectos essenciais permanecem inalterados. Na primeira infância existe dificuldade em aprender habilidades e adaptação social. Estas dificuldades surgem do mesmo distúrbio que causa problemas de conduta e aprendizado na idade escolar, problemas de desempenho no trabalho na fase da adolescência e conflitos sociais e conjugais na fase adulta.
KANNER (1938) descreveu em onze casos levantados, dos quais oito meninos e três meninas, alguns sintomas básicos: isolamento, insistência obsessiva em manter rotinas e tendência a ter centros de interesses limitados. A síndrome de KANNER indica a criança com aspectos clássicos. As crianças apresentavam diferenças individuais segundo o grau de seu distúrbio. A desordem verifica-se na incapacidade dessas crianças de se relacionarem com outras pessoas desde o começo de suas vidas, vivem absortas de tudo que lhes diz respeito.
Pesquisadores do assunto não assumem uma definição para o termo autismo, que corresponde a um conjunto de critérios de diagnósticos diferentes e, conseqüentemente, com uma determinada abrangência. Porém, independentemente de critérios de diagnóstico, é certo que a síndrome atinge principalmente pessoas do sexo masculino, numa proporção de quatro homens autistas para uma mulher com o mesmo diagnóstico (BATISTA, 2002).
As pesquisas indicam que certas partes do sistema nervoso central podem  não se desenvolver de forma adequada. Os milhões de neurônios em nosso cérebro, quando em desenvolvimento, por algum motivo, estabelecem algumas ligações erradas. Sofisticados aparelhos de tomografia computadorizada indicam que alguns apresentam defeitos no desenvolvimento neuronal e que certas partes do cérebro podem apresentar uma atividade acima do normal.
As causas podem ser múltiplas: fenilcetonuria não tratada, viroses durante a gestação, principalmente durante os três primeiros meses, toxoplasmose, rubéola, anoxia e traumatismo no parto, patrimônio genético entre outros. Os sintomas podem surgir nos primeiros meses. Embora as primeiras manifestações do autismo comecem sempre antes dos três anos, as mesmas costumam não serem identificadas com precisão no primeiro ano. São muito raros os diagnósticos de autismo em bebês menores de doze meses. Os pais começam a perceber que seus filhos são diferentes a partir do momento em que começam a falar; no entanto os sintomas são diagnosticados mesmo antes da aquisição da linguagem.

INTERAÇÃO SOCIAL

Na interação social, observamos os sintomas da destacada diminuição no uso de comportamentos não-verbais múltiplos, tais como contato ocular, expressão facial, postura corporal e gestos para lidar com a interação social.  Apresentam dificuldade em desenvolver relações de companheirismo apropriadas para o nível de comportamento.  Notamos falta de procura espontânea em dividir satisfações, interesses ou realizações com outras pessoas, por exemplo: dificuldades em mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse.  Demonstram ausência de reciprocidade social ou emocional. (Os Segredos do Autismo, 2003).
Na comunicação, observamos atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, sem ocorrência de tentativas de compensação, através de modos alternativos, tais como gestos ou mímicas.  
Em indivíduos autistas com fala normal, destaca-se diminuição da habilidade de iniciar ou manter uma conversa com outras pessoas. Verificamos ausência de ações variadas, espontâneas e imaginárias ou ações de imitação social apropriadas para o nível de desenvolvimento. Fidelidade aparentemente inflexível às rotinas ou aos rituais não funcionais específicos.  Possuem hábitos motores estereotipados e repetitivos, por exemplo: agitação ou torção das mãos ou dedos, ou movimentos corporais complexos.  Observa-se, também, obsessão por partes de objetos. (BAUER, 2003)
É interessante que as crianças sejam tratadas desde cedo de forma adequada. Para a família e a equipe terapêutica, os sintomas não específicos são os que mais trazem preocupações, tendo que serem medicados para  controlar o comportamento. As crianças autistas serão afastadas de suas famílias apenas em casos raros e em circunstâncias extremas, quando não responderem a tratamentos psicoterápicos de forma satisfatória e em casos em que as crianças necessitem de escolas especializadas. Existem métodos de tratamento envolvendo educação física, musicoterapia, exercícios aquáticos de coordenação motora que auxiliam no tratamento de integração social, estimulação auditiva, estimulação visual e sensorial. É necessário que haja tratamento psicodinâmico (terapia dos abraços e psicoterapia). Certos autistas respondem bem a um determinado tratamento, outros não. Alguns requerem a internação por toda a vida, devido à falta de percepção do mundo exterior ou a violência do comportamento. Recomenda-se que as crianças autistas sejam atendidas por especialistas da área como: fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, médicos neuropediatras, professores etc. Os autistas têm respostas extremas aos estímulos sensoriais, como: hipersensibilidade à luz, som, toque e fascinação por certos estímulos auditivos ou visuais. Possuem distúrbios de sono e alimentação, além de medo excessivo em situações corriqueiras ou perda do medo em situações de risco. (SCARIANO e GRANDIN, 2002, p.40).                    

Imprescindível olhar as crianças autistas em seu processo de integração e organização simbólica/conceitual (atenção, discriminação, identificação, retenção, compreensão, planificação e controle). Necessário, ainda, avaliar os processos expressivos na linguagem (comunicação verbal e vocalização) e nos movimentos (controle tônico, postura, lateralidade, imagem do corpo, estruturação, espaço temporal, praxes e linguagem gestual) e processos de ajustamentos sócio-emocionais (AMA).


Joana Montes

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quinta-feira, 3 de março de 2011

FRAGMENTOS - BIENAL DO LIVRO SJC





O lançamento do livro Fragmentos foi no dia 14 de abril de 2011, na Bienal do Livro de São José dos Campos. Agradecimentos à Fundação Cultural Cassiano Ricardo e à Secretaria de Educação.

FRAGMENTOS
O livro "Fragmentos" promove um campo reflexivo de redes discursivas geradas pelas comunicações efetuadas no videoclipe e no espectador. Este, mesmo que fora da ação, participa do movimento e interfere ao posicionar-se. As imagens do videoclipe A minha alma, do grupo O Rappa, liberam uma estratégia de comoção do espectador, o qual absorve um sentimento de empatia com os participantes do espetáculo. A tela televisiva torna-se enigmática ao liberar a representação do conteúdo. Uma janela está aberta, instaurada no espaço manifesto e oculto comum aos coadjuvantes, aos atores, aos espectadores e ao olhar solitário que se esconde atrás das imagens, invisível. O videoclipe possui um encantamento quando sua luz, no primeiro plano, reflete, na tela, a ironia do contemporâneo. Tal ironia está refletida no entrelaçar das culturas, ou seja, na diversidade cultural, ao estabelecer vínculos de convivência humana.  As representações invisíveis da exclusão social devem ser representadas no mundo ao dar nome às suas identidades. Pressupõe-se que o sujeito seja integrado a uma nova forma de ver o contemporâneo, de maneira a organizar novas combinações de tempo e espaço. Ao desconstruir o discurso do videoclipe, reconstrói-se um pensar novo e reflexivo. Repensa-se a prática educacional para que as crianças, metaforicamente representadas pelo menino Gigante, tenham na escola e na sociedade um espaço de socialização e cultura para exercer sua cidadania. Assume-se, portanto, o compromisso de formar sujeitos que visualizam criticamente as informações. A educomunicação vem a ser uma área que intervém em ambientes educativos e de comunicação tecnológica. Nesse contexto, ela possibilita o transporte de vivências de outras áreas do conhecimento e dialoga com aspectos educacionais, políticos, antropológicos, sociológicos, discursivos, além dos artísticos e estéticos. Nessa perspectiva, abordam-se estudos de Néstor García Canclini (2008); Márcia Perencin Tondato (2009); Ismar de Oliveira Soares (2002).

Palavras-chave: Espectador, videoclipe, inclusão social, educomunicação.

Autora: Maria Joana Brito da Silva Montes

Consultora Gráfica: Suzi Helena
Valor: R$ 59,00 

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